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terça-feira, 28 de maio de 2013

A EXPERIÊNCIA FINLANDESA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

A EXPERIÊNCIA FINLANDESA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Lemos diversos artigos nos jornais falando sobre a visita da delegação finlandesa ao nosso País para o seminário sobre educação em São Paulo. Chamou-nos especial atenção algumas idiossincrasias na educação finlandesa em comparação com a brasileira, na fala da Diretora de Educação do Ministério de Educação da Finlândia, Jaana Palojärvi.

A verdade inexorável é que não erramos em dizer que a experiência daquele país da Escandinávia é única e nem tudo pode ser aplicado à nossa realidade, mas certamente algumas características servem, sim, para aplicarmos em nosso país, pois são questões inerentes a qualquer país do mundo, por exemplo, a elevação do status da profissão de professor e isso é urgente em um país que pretende dar uma guinada na qualidade da educação.

Então,  cabe ressaltar algumas características da reportagem do jornalista Davi Lira do Estado de São Paulo:

1)     Ser Professor na Finlândia não é para quem quer, mas para os melhores. Apenas 10% dos candidatos que pretendem entrar na universidade para serem professores conseguem fazer o curso. E não se pode ser professor na Finlândia sem ter mestrado.

2)     Quanto ao déficit de professores de química, física e matemática no Brasil. Na Finlândia não é difícil encontrar professores para essas áreas, apenas para matemática é um pouco difícil.

3)    Professores na Finlândia lecionam em apenas uma escola. Lá, o docente dá aula em apenas uma escola. Geralmente fica com o mesmo grupo de alunos, acompanhando-os por cerca de 6 anos.

4)   Na Finlândia os professores não ganham super salários. Eles não são nem mal pagos nem tão bem pagos. O salarial inicial de professor de ensino fundamental é de cerca de € 3.000 (R$ 7.860) por mês.

5)      A Finlândia tem uma das cargas horárias mais curtas do mundo. Nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, os estudantes ficam entre 3 e 4 horas na escola apenas (não tem ensino integral).

6)     Os alunos finlandeses não têm muito dever escolar para casa. A quantidade de tarefas de casa é baixa. É um sistema diferente de países asiáticos, que passam muita tarefa.

7)    A Finlândia não tem uma avaliação nacional para o Ensino Médio. Em cada sala, o professor é quem decide como avaliar seus alunos. Não se acredita muito em testes e controle, foca-se mais no aprendizado. O sistema é bem descentralizado.

8)    Uso de tecnologia em sala de aula não é prioridade. Existem escolas que trabalham bastante com a tecnologia aplicada à educação e outras que nem tanto. Mas, no geral, as escolas finlandesas estão mais interessadas no processo, não no meio. Não importa se os professores utilizam papel ou aparelhos tecnológicos. O mais importante é a qualidade do aprendizado.

9)    Idade para alfabetização. Não se espera que os alunos aprendam a ler antes dos 7 ou 8 anos.

10)  Na Finlândia as políticas públicas voltadas para a educação são políticas de Estado e não de Governo. Não importa se o governo é de direita ou de esquerda, não há descontinuidade.

11)    Número de alunos por sala de aula. São 20 alunos por sala nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos outros níveis da educação básica, o número não ultrapassa 25 estudantes. Preocupa-se bastante em não ter classes com muitos alunos.

Destacamos os principais pontos da matéria sobre os quais fazemos apenas uma análise, ainda que superficial, visto que não há como comparar algumas características, pois se trata de realidades muito díspares. A Finlândia tem dimensões infinitamente menores que a do Brasil. A população finlandesa é de cerca de 5 milhões de habitantes. A Finlândia tem uma história e cultura que torna o País único no mundo.
Entretanto, algumas características são inerentes ao ser humano e em qualquer país do mundo ou cultura, se aplicadas, o sucesso é garantido, vejamos:

1) O reconhecimento da carreira do professor elevando o status social perpassa por uma mudança de paradigmas e não tem a ver somente com o salário, mas com a forma como a sociedade vê esses profissionais. Como vemos a pessoa do professor na escola de nossos filhos?

2) O déficit de professores é uma realidade  no Brasil. Não poderia ser diferente à medida que todos os anos as universidade despejam no mercado milhares de talentos em cada área do conhecimento que poderiam ser utilizados na docência, mas, em virtude da profissão de professor ser tão vilipendiada no Brasil, sequer passa pela cabeça dos formandos em serem professores.

3) A dedicação exclusiva alivia a carga do professor e faz com que esse profissional possa se dedicar de maneira decente aos seus alunos. Isso na Finlândia é notável, pois faz com que alunos não sejam apenas números na cabeça dos professores. São acompanhados ao longo de 6 anos pelos mesmos profissionais: o resultado disso é incrível.

4) Salários: interessante notar que os professores finlandeses não recebem super salários como o senso comum admitia. No DF, a realidade salarial aproxima-se da Finlândia, mas é preciso cautela quanto a essa análise, pois se deve considerar outros fatores como as condições de trabalho e o custo de vida do DF que é, em alguns casos, mais alto que país de primeiro mundo. Quanto ao restante dos professores do país, há um abismo se comparar os números com os da Finlândia. Outra característica importante é que temos um dos melhores quadros de professores do Brasil, mas qualificados, muitos com mestrado ou, no mínimo, com  pós graduação.

Quantos aos itens 5 e 6, mais uma vez não há como compararmos a realidade, simplesmente porque no Brasil se exige mais preparo dos alunos, com cargas horárias e um maior conteúdo devido à concorrência no vestibular. Nos países de primeiro mundo, como a Finlândia, universidade não é para todos, pois lá existe a opção do nível técnico e só vão para as universidades os alunos com perfil acadêmico apropriado. Boa parte dos alunos vai para as escolas politécnicas e se formam em nível técnico, o que lhes rende uma possibilidade de empregabilidade em tempo mais curto e uma renda compatível para manter um padrão de vida mais que digno.

No Brasil, os nossos alunos não têm ainda essa realidade e levará décadas para que esse quadro seja mudado. Assim, a concorrência é enorme para uma vaga nas melhores universidades públicas. Mas essa realidade tenderá a mudar, pois com as políticas afirmativas o Governo escolheu, a nosso ver, mais uma vez o caminho errado. Despejar milhares de alunos despreparados e sem o perfil acadêmico adequado para cursarem o ensino superior ao invés de lhes prover um ensino técnico. Talvez esse não seja o melhor caminho. A universalização do acesso ao ensino superior nos custará caro a médio e longo prazo, pois corremos o risco de colocar o ensino superior de excelência na vala comum do ensino básico.

Destacamos a questão da alfabetização do item 9, o que não foi dito na matéria é que a grande maioria dos alunos finlandeses já vão para a escola alfabetizados no lar. Os pais finlandeses têm um nível de escolaridade que lhes permitem essa proeza. Os estímulos são dados desde os primeiros anos de vida e as crianças ingressam na escola aos 6 ou 7 anos já alfabetizadas. Isso tem também um caráter histórico. Há alguns séculos a igreja Luterana, oficial da Finlândia, apenas permitia o casamento de pessoas alfabetizadas. Ora, não existe nada que impulsione a humanidade mais que o sexo e dinheiro! Assim, essa cultura permanece até hoje, não por imposição, mas por opção. Talvez o MEC tenha tomado apenas um recorte dessa realidade para implantar o pouco ambicioso programa de alfabetização “na idade certa”.

Quanto ao item 11 (número adequado de alunos por sala de aula), está claro que a quantidade de alunos por sala de aula é, sim, algo de fundamental importância na vida acadêmica. Professores e alunos ganham com um numero reduzido de pupilos. Por essa razão, é fácil não ser um número em uma escola finlandesa. Os resultados são patentes.

Está sobre a mesa do Ministro de educação há anos o Parecer CEB/CNE nº 8 de 2010, o qual reduz o número de alunos por sala de aula. Essa foi uma deliberação também da CONAE 2010. Já estamos indo para a CONAE 2014! Falta vontade política. Enquanto isso, nas escolas privadas a maximização do lucro impõe a professores e alunos uma realidade diversa: mais de 50 alunos dentro de uma sala de aula. Isso é um absurdo e ninguém faz nada para mudar essa realidade. Nem os sindicatos de professores, pois às vezes só lutam por salários, por essa razão temos sempre mais do mesmo.

Concluímos, portanto, que a observação do sucesso da educação finlandesa é, sem dúvida, algo a ser seriamente a ser considerado e observado. Entretanto, devemos ter em mente aspectos que nos unem e os que nos distanciam da experiência educacional finlandesa a fim de fazermos as adaptações no que for cabível na realidade da educação brasileira.

Luis Claudio Megiorin, Advogado, Presidente da ASPADF, Coordenador da CONFENAPA, membro dos Fóruns Nacional e Distrital de Educação e membro do Conselho do Fundeb

SAIBA MAIS:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,na-finlandia-a-profissao-de-professor-e-valorizada-,1035943,0.htm

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/pais-com-melhor-educacao-do-mundo-finlandia-aposta-no-professor.html

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